segunda-feira, 13 de junho de 2016

Próxima parada: saudade



Olho meu e-mail e vejo que chega o momento de fazer o check in online. 17h30 eu estarei voltando.

A gente vai ao apartamento e faço minha mala, jogando tudo de qualquer jeito – porque nunca cabe mesmo nada certinho como na ida, vai entender – e digo: - Amor, estou pronta!

Você liga o ventilador do quarto, deita na cama já desocupada da minha bagunça e me chama para deitar junto. Estamos meio atrasados, já que ainda iríamos visitar uma amiga, mas eu deito. Como resistir a qualquer pedido seu? Deito, encosto no seu ombro, e desejo não precisar sair nunca mais dele.

Queria dizer, enquanto estou ali, o quanto te amo e o quanto seria louca ao ponto de não voltar para casa. Mas alguma coisa embarga a minha voz. E eu sou mesmo muito durona para chorar na sua frente.

Então levantamos. Confiro se não esqueci nada e descemos o elevador. Engraçado que eu sinto que deixei algo por lá, mas me parece estar tudo na mala – em algum lugar remoto dos montes distantes de roupas que joguei nela – então deixo de lado a preocupação e tento curtir a horinha restante antes do embarque.

Depois de uma tentativa falha de visitar a feirinha que sua amiga trabalha, e de enfrentar aquela velha fila de carros que te persegue (a Lei de Murphy te ama!), chegamos ao aeroporto. Despacho minha mala, que é pequena, mas está pesada, e buscamos um lugar para tomar um café nos vinte minutos restantes.

Café com canela. Recordo-me do texto que fiz em sua homenagem que diz “meio como aqueles cafés com canela, que não parecem café, mas são”. Você é meio um café com canela que eu tomo sem açúcar (por insistência sua, mas realmente é bom sem). Bebo o café e percebo o quanto esses momentos não têm o menor preço, mas um valor além do imaginável.

Vamos andando até a entrada da sala de embarque. Noto sua expressão mudar e isso me dá um nó na garganta. A moça do portão fala alto e apressadamente: - Próximo, por favor!

Acho que ela nunca vai entender que para quem se despede, é preciso tempo, todo o tempo do mundo. Abraço você como quem diz "não quero ir” e você retribui meu abraço como quem fala “por favor, não vá”. E a moça do portão insiste. E eu digo te amo. E vou, sem olhar para trás.

A verdade é que sei que nos veremos em breve, mas cada vez que estou com você, e o tempo passa, fica mais difícil qualquer despedida. Aviso no grupo da família “estou na sala de embarque” e minha mãe responde “oh filha, já? Vai ficar com saudades”. E eu já estava.

Mas você me deu o meu melhor aniversário. O melhor dia dos namorados. E todos os dias, você me dá o melhor de você. E eu faria mil viagens de avião – mesmo odiando, passando mal e detestando o fato do fone de ouvido não conectar direito na tv – para sentir novamente todas as borboletas voando dentro do meu estômago e todas as emoções bonitas preenchendo meu coração.

Percebo, na fila para embarcar – lado direito, para assentos de 12 a sei lá quantos – que deixei algo importante no seu apartamento. Algo que precisarei buscar muito rápido. Algo que talvez seja impossível viver sem. Penso em voltar para buscar, mas não daria tempo. E sei que logo terei de volta comigo. Percebo, na fila para embarcar, que esqueci minha parte mais bonita: você. 


E quando o avião decola, lá de cima, querendo chorar eu abro um sorriso e leio a revista de bordo, na certeza de que não existem amores à distância. Tudo que é amor, perto da gente está.


Confira meu último texto para 1 Quarto de Café!  

domingo, 5 de junho de 2016

Olha o Coisinhas aí geeeente!


Ei, lembram-se de mim? Depois de algum tempo, resolvi voltar ao meu blog e reativar o antigo sonho de que ele seja lido por alguém.

Nunca tive a pretensão de ser muito mais do que sou, nem de alcançar públicos avantajados. Na verdade, bem escrevo por que é o que eu melhor sei fazer. Afinal, se alguém não sabe cozinhar feijão, ou fazer cálculos complexos (sou de Humanas, hehe) e nem dirigir um ônibus escolar, então esse alguém precisa, pelo menos, saber escrever meio cadinho de palavras.

“Raquel, porque você ficou sumidinha daqui?” Eu decidi deixar o Coisinhas um pouco de lado por alguns motivos. Um deles é que eu acreditava que para se ter um blog é preciso possuir aquele layout maravilhoso e um espírito de blogueira empreendedora. No momento, continuo não tenho nenhum desses dois pré-requisitos (impostos por mim), mas foi por meio de uma conversa despretensiosa com uma amiga querida (Lari Pandori, sua linda!) que abri meus olhos para a verdade: Raquel, você não precisa de nada disso! Você só precisa COMEÇAR. No caso, recomeçar. E cá estou eu!

A volta do blog eu também devo muito a minha maior incentivadora de todos os tempos: a minha mãe. Segundo ela, eu não estava tão feliz assim porque estava fugindo de mim, do que eu sou. E escrever é o que eu sou! Sou isso desde pequenininha, desde as leituras de redação na sala de aula, desde as cartinhas para minhas amigas. Eu sou isso, e negar seria negar talvez todo um projeto lindo que Deus desenhou para mim.

Sabe, meu blog não é o mais bonito, nem fala das coisas mais interessantes, mas nele eu divido com vocês o meu pequeno universo. E se cada cabeça é um mundo, aqui nessas páginas vocês vão descobrir o meu. E quem sabe, vão poder partilhar um pouquinho dos seus, e me contar as coisas das suas vidas. Aqui não é um espaço de uma via só, mas uma estrada de ida e volta. Vamos trocar figurinhas! Vamos tornar esse nosso mundo, um mundão inteiro de versos e prosa.

Então, é com muuuuito carinho, que eu digo: galera, eu VOLTEEEEEEI. E as postagens por aqui serão semanais. Se por acaso vocês quiserem indicar temas para textos, quiserem enviar os seus textos ou poemas, fiquem à vontade! Vai ser um prazer receber dicas e poder também publicar o mundo de vocês por aqui, tá?

Querendo falar, vocês me acham:

No e-mail – povoasraquel@gmail.com
No Facebook – Blog Coisinhas
No Instagram - @bcoisinhas

Beijo!


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Sobre os óculos quebrados

Foto: We Heart It

Atualmente me encontro em um dilema muito sério: troco minha armação por outra nova, usando a mesma lente, ou troco a lente e a armação? 

Parece que, para este problema, a solução é bastante simples, mas não é!

Com nova armação, continuarei usando a mesma lente, antiga e um pouco arranhada. Para esta lente, precisarei de uma armação que se encaixe perfeitamente a ela. Isso me tira a liberdade de escolher novos modelos, com cores e design renovados. Mas, por outro lado, torna a despesa menos custosa, pois lentes são muito caras.

Com a compra de lente nova e armação, tudo muda! Modelo, formato, cor, estilo. Nova lente, sem um arranhão sequer. Nova armação, bonitinha, do meu novo jeito. Mas isso é mais caro para mim. Precisarei de mais tempo para juntar o dinheiro, e de abrir mão de aquisições outras, como roupas e computador.

Estão vendo? Não é tão simples assim. Para continuar usando velhos óculos, preciso aceitar que a lente continuará arranhada e que, para utilizá-la, precisarei me adequar à armações que se encaixem a ela.

Assim como, para ter lente e armação trocadas, precisarei de tempo para conseguir o dinheiro necessário, e da consciência de que não poderei obter novas coisas enquanto os óculos não forem pagos.

A vida é assim. Exatamente assim. Deixar que certas coisas continuem da mesma forma, é mais cômodo, mas causa limitações. Já decidir expandir e obter novas formas de olhar e agir, trazem desafios e sacrifícios, em que precisamos jogar fora velhos hábitos.

Esse é um dilema que todos enfrentamos, dia-a-dia. Sobre óculos, sobre nós.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Tem coisa

Foto: WeHeartIt

Tem coisa que a gente não precisa resolver com terapia. Lambida de cachorro basta;

Tem coisa que não se resolve com [ou apenas] dinheiro. Sentir a chuva batendo no rosto já deixa tudo melhor;

Tem coisa, veja bem, muita coisa mesmo, que não depende apenas de você. Deixa na mão do Cara lá de Cima, que Ele resolve;

Tem coisa que só mãe resolve;

Tem coisa que fica maior quando deixamos de ver os amigos para ficar remoendo tudo em casa;

Tem coisa que resolve com feijão caseiro, pizza de frango com catupiri e brigadeiro de panela;

Namorado(a) não resolve solidão, emprego não resolve desocupação, roupa não veste o vazio. Resolve sermos completos ao ponto de doar um pouco da gente pro outro;

Resolve fé,  resolve conhecimento,  resolve muita coisa,  a tal da caridade;

Livro cura. Cura falta de emoção,  criatividade,  gramática;

Resolve dar tudo que não serve.  Resolve mais ainda não comprar tudo achando que se precisa;

Tem coisa que resolve do nosso jeito,  do jeito do outro,  de qualquer jeito.  É só querer!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Um dia quis voar

Foto: WeHeartIt


Não porque fujo das estradas que a vida me faz percorrer
Não porque no mar às vezes fico pra lá e pra cá
No céu não tem árvore, não tem peixe, não tem casa de madeira
No céu tem estrelas
Mas um dia quis voar
Porque parece que o céu não tem dono
Está lá, às vezes azul , às vezes escuridão
Está lá sustentando muitas coisas, talvez o universo
E mesmo assim suas nuvens formam figuras de bichinhos
E de lá caem pingos que parecem cristais de vidro
E também lá os pássaros viajam para o Sul
E se o céu é todo liberdade, é lá que eu  quero estar
Voando.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Estamos de volta!


Foto: WeHeartIt

Queridos (as) leitores (as) do blog, venho por meio deste informar que sim, os textos do “Coisinhas” estão de volta! Yeeeeeeeey!

Ficamos um ano separados, não é? Não sei vocês, mas eu senti uma falta imensa de compartilhar meus pensamentos com  meus (inhas) leitores(as) tão queridos(as) e amados(as)! E paparico mesmo, porque sem o apoio e incentivo de muitos aqui, não teria voltado com esse projeto tão especial para mim.

E aí, o que fizeram durante o ano que se passou? Eu aproveitei esse período de distância vivenciando muitos momentos – bons e nem tanto – e procurando pensar em formas de expressá-los novamente aqui neste espacinho todo nosso.

Conto com vocês, meus fies escudeiros (as), para essa mais nova empreitada do Blog Coisinhas! Vamos lá?

Beijos com amor!


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

E que venham os fogos!

Foto: WeHeartIt



Final de ano. De mais um ano da nossa coleção de acontecimentos chamada vida. Para uns, o momento ideal de fazer uma retrospectiva interna e ver o que deu certo, o que falta dar, e o que precisa ser melhorado. Para outros, nada mais que uma simples virada de página no calendário imaginário que criamos para separar em períodos nossas grandes expectativas de crescimento e conquistas.

Já parou para pensar se nosso dia-a-dia não fosse dividido em ano, mês, dia, hora? Seria uma loucura total. Precisamos nos guiar à partir de uma linha do tempo, que vai reger de forma ordenada nossas ações, os acontecimentos e aniversários.

Passou carnaval, páscoa, noivado da melhor amiga, comemoração por aumento de salário e por aí vai...passaram tantas coisas, mas porque outras insistem em ficar? Ficam alguns medos de tentar, um certo mau humor pelas manhãs, ficam pessoas que deveriam ter ido (e foram), mas ainda moram num canto do seu coração que precisa ser faxinado.

Como deixar ir tudo que não queremos? Simples: aceitando que realmente não queremos. Ah vai, o que a gente não quer, a gente joga fora, recicla ou doa, não é? Então pare de achar que você não quer mais ser meio mandão(dona), porque você quer. Você quer chorar de noite pelo(a) menino(a) que veio, balançou seu coração, e depois te esqueceu. Quer muito continuar sendo legal demais com pessoas que são legais de menos. Esse(a) é você.

Certas coisas não se mudam em um ano. Mas o que realmente vale é o esforço de tentar. E aceitar o que não pode ser transformado em tão pouco tempo, porque já nasceu com você. Julgamentos geralmente são muito cruéis, e julgar a nós mesmos às vezes é mais cruel ainda. Tenha carinho quando tomar consciência que anda errando em algum ponto, pois só com amor próprio podemos nos melhorar. Isso pode até parecer papo de “auto ajuda”, mas eu já testei e afirmo, funciona!

Então, em 2012 (e em todos os próximos “anos novos”), vamos combinar uma coisa? Comemoremos as vitórias, as tentativas e o que queremos que fique! Comemoremos tudo, porque esse tudo é o que nos forma, é a nossa vida. Paremos de nos culpar, nem tudo segue uma linha reta, não existem receitas de felicidade à venda nas melhores drogarias! Façamos valer à pena cada dia desse calendário que criamos, vivendo os ciclos e sabendo fechá-los quando necessário.

O Blog Coisinhas agradece imensamente o carinho e força de todos(as) os(as) leitores(as) e amigos(as) que, com toda a paciência e delicadeza do mundo, souberam ler, acreditar, elogiar e me fazer continuar com esse projeto tão especial! A vocês meus amores, um 2012 MARAVILHOSO!