segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Uma pequena mudança

Foto: site WeheartIt



O que é a vida, se não nós mesmos? Quer mudá-la? Mude-se. De lugar, de estado civil, de emprego, de cabeleleiro. Mude a si. Mas isso não é lá tão simples assim!

O que te faz pensar em mudança? A casa já não cabe mais você, toda a sua pilha de livros e o seu gato de estimação? O trabalho chato que te obriga a escrever relatórios sem nenhum fundamento? Aquela namorada que pensa mais em suas unhas pintadas do que em você? O que te faz transcender?

Ah, o ser humano. Pessoas confusas, em busca da felicidade, ao mesmo tempo desejando serem estáveis e mutáveis. E no meio desse turbilhão de sentimentos, vem a insatisfação. E é ai que você pára e pensa que talvez esteja fazendo tudo errado.

Tudo errado MESMO. Mas será? Será que talvez não fosse o caso de transformar? Poque transformar (que no dicionário, dentre outras definições, quer dizer “dar nova forma a”) é diferente de mudar (“remover, pôr em outro lugar”). Mudar pode ser muito radical. Transformar não. Porque a segunda opção nos dá a chance de usar o que já temos, numa espécie de reciclagem, não deixando necessariamente as coisas para trás.

Aí você pensa: - Desculpe, mas não há como reciclar meu namorado, aquele ali é insensível por natureza. Ok, ok...nem tudo pode ser reaproveitado meus queridos(as), mas muitas coisas têm esse poder. Afinal, não é que todos os itens da sua vida estão sendo inúteis para você. Seria uma tremenda falta de sorte se o fosse, e uma tremenda desatenção da sua parte.

Muitas pessoas não têm um bom convívio familiar em casa. Mas também, vamos combinar, querer que todos concordem com você 24h por dia é meio impossível, heim? Então pare de achar que a casa está muito bagunçada, ou que sua mãe fala demais, ou que seu cachorro deveria soltar menos pelos pela sala. Se Jesus, um grande orador, não conseguiu colocar em harmonia o pensamento universal (até o momento), não será a vossa senhoria que o fará. Apenas faça a sua parte, pensando em você e no bem-estar comum. Será uma grande transformação.

Será também uma grande transformação se você parar de reclamar do seu trabalho. Os classificados estão aí para lhe provar que existe outro caminho. E se no momento você não está podendo se dar a esse luxo, então, mais uma vez lembro-lhe: transformação já! Acorde sem medo de testar novas idéias, de atender mais educadamente um telefonema, de dizer bom dia ao rapaz do cafezinho. Não será uma grande mudança na carreira, mas será uma transformação no seu “eu profissional”.
 
Transforme seu guarda-roupa. Não comprando apenas, mas doando o que não lhe traz mais alegria ao usar. Existem por aí milhares de brechós beneficentes, abrigos de idosos, creches comunitárias e moradores de rua para receber aquela blusa meio fora da moda, aquela calça apertadinha e aquele moletom da época que você visitou o parque da Disney, quando tinha 14 anos. Doe. Transforme. No mínimo, ganhará novos espaços para as roupas da estação.

E a lista de transformações é grande. Mas tem uma, umazinha sabe, que é essencial. Sem ela, não adianta mover mundos e fundos. Ela se chama “transformação íntima”. Experimente se olhar no espelho do banheiro, aquele meio arranhadinho que serve para pentear cabelo, se maquiar, ver se a roupa está boa. Olhe bem fundo nos seus olhos refletidos nele. Veja como é seu sorriso, como seu cabelo cai sobre seus ombros. Olhe por alguns minutinhos antes de ir tomar seu banho. Se enxergue.

Viu? Viu você? Aquela pessoa cheia de expectativas sobre si, os outros, o mundo? Viu as olheiras cansadas das poucas horas dormidas por conta de reuniões até as 20h? Viu uma menina que ainda não se descobriu a mais linda da turma? Viu um pai que deveria abraçar mais seu filho, ao invés de tentar mudá-lo a cada instante? Você viu quem você é, quem você está sendo e quem você se mostra para os outros por aí?

Se você acha que alguma coisa que você viu refletida merece uma segunda chance, então renove-se! Recicle esse ser humano incrível que é você, mas que está escondido por trás de medos, ansiedades, desilusões, apegos. Use seus pontos fracos para te servirem de escada. Uma hora, você alcançará suas virtudes mais bonitas. Está com dúvidas sobre sua capacidade de se auto-reciclar? Faça uma pequena enquete entre amigos, colegas de trabalho, seguidores do Twitter, companheiros de mural no Facebook, sobre suas principais qualidades. Você verá coisas que jamais seu espelho lhe revelou. Isso porque nunca você o questionou verdadeiramente.

Parabéns! Seu processo de transformação começou! E ele, aviso de antemão, é eterno. Construído a cada momento, a cada dia, a cada virada de esquina. E nunca mais escreva em lugar algum a frase “preciso mudar a minha vida”. Em vez disso, faça um cartaz bem grande, cole na parede ao lado da sua cama, a palavra “transformação”. Porque a vida é você, e ela é sempre feita de uma pequena mudança, a cada amanhecer.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Uma carta para você

Foto: site WeHeartIt



Poucos sabem (ou lembram) o quão gostoso é escrever uma carta. Folhas de caderno, adesivos de bichinhos e super-heróis, canetas coloridas, poemas, letras de músicas, confissões, juras de amor, pedidos de desculpas ao amigo de infância...

Nos tempos de escola, as melhores amigas ganhavam cartinhas ao completarem mais um aniversário. Nos primeiros namoros, os meninos descobriam o quanto eram queridos por suas namoradas através das letrinhas com corações nos “is”. Mães e pais tinham orgulho de ganhar as correspondências cheias de errinhos de português dos seus pimpolhos. E nenhum presente tinha a audácia de ser entregue sem pelo menos um bilhetinho.

Aí todos nós crescemos. Ganhamos nosso primeiro computador. Entramos na faculdade. Compramos nosso primeiro carro. E as cartas...bem, as cartas ficaram para trás.

A vida é muito corrida. Em cada festa fazemos novos amigos. São muitos aniversários para lembrar. Trabalho, viagens, contas de luz. E as cartas? Estão guardadas numa caixa de sapato, dentro do armário, embaixo das roupas para doação.

E assim a vida segue. Mas eis que chega na sua vida um amigo. Ele mora longe, só está na cidade de passagem, irmão de sua amiga-mãe. E ele então pergunta: - qual seu endereço? E você responde, meio sem saber para quê ele perguntou. E então ele diz: - então tá, iremos nos falar por correspondência!

Plim! Em um passe de mágica, as canetinhas, adesivos, papéis decorados de cadernos antigos, envelopes comprados na vendinha da esquina, voltam a existir! E você se dá conta de como é linda sua letra, de como sabe expôr bem todo o seu carinho em palavras, de como são bem gastas as moedinhas que entregamos ao moço do correio.

E aí? Ainda tem anotado o endereço do seu amigo que agora mora longe? E o apelido carinhoso que deu ao seu avô, quando vocês ainda brincavam juntos de jogar bola? Lembrou de como sua mãe se enchia de alegria e de lágrimas nos olhos quando, no dia das mães, recebia o café da manhã na cama com uma cartinha cheia de desenhos sua?

Nenhuma banda larga dos melhores notebooks pode ser tão perfeita quanto a demora de uma ou mais semanas que se passam até aquela correspondência tão esperada chegar na nossa caixa de correio. A gente corre para o quarto, fecha a porta, acende o abajour, deita na cama, e lê. Como se nesta carta estivessem escritos os mais ocultos segredos do universo.