segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Sobre encontros e despedidas

Foto: site WeHeartIt


Eu acho a vida uma coisa inteligente. Assim como na natureza, a “lei do mais forte” impera em nossos relacionamentos. Talvez não no sentido literal, mas de um modo mais sutil. Você já parou para pensar que, por mais que nossos corações sejam grandes o bastante e nossas redes sociais possuam número de amigos ilimitados, a gente não consegue manter todo mundo que já conhecemos durante nossa caminhada ao nosso lado?

Pois bem, para que umas pessoas façam a diferença, outras precisam seguir em frente, nos deixando o aprendizado delas, coisas boas, arrependimentos, enfim, suas marcas. Ficam conosco apenas os seres que vieram para nos fazer companhia, mesmo que não gostemos muito dela. Aquela amiga que conhecemos no trabalho e que se tornou nossa irmã, mães e pais, inimigos (que por vezes nos ajudam a enxergar nossas próprias virtudes), namorados que viram maridos, enfim...aqueles personagens da nossa história que vão nos seguir até o grande “the end”.

É amigos, mas as coisas complicam um pouco quando não conseguimos perceber a hora de determinadas companhias partirem. Nós amamos, nos apegamos a elas, achamos que não iremos ser nós mesmos sem a presença delas. O nome para isso? Apego! Porque se algo deve ir e nós não permitimos, demonstramos que estamos apegados demais a esse algo para aceitar a dura realidade dos fatos: é chegada a hora de dar tchau.

Quando digo “tchau”, não estou me referindo ao que damos aos nossos amigos da cidade natal, quando vamos morar em outro lugar. Não me refiro ao adeus dado à mãe quando vamos morar sozinhos. Nem muito menos o até logo que dizemos a quem de fato partiu, mas para outra vida, a espiritual. Aqui me refiro ao “tchau” de verdade. Aquele tchau que deve ser dado custe o que custar, para nosso próprio bem, nossa sobrevivência.

Dói. Machuca muito. Mas liberta. Diga adeus e verá. Perceba que a vida precisa desse espaço aí que você durante muito tempo reservou para uma determinada pessoa. Ela precisa muito desse espaço para nele abrigar outro alguém, que precisa entrar na sua história. Talvez esse espaço vai ser o mais bem preenchido da sua vida! Vai ser o seu grande amor, vai ser um padrasto tornando-se o seu pai, vai ser uma amizade eterna. Vai ser o que você tanto necessita, mas que ainda não sabe.

E se dá medo se despedir, dá medo também dizer “olá” para quem chega. E muito mais medo quando quem chega é quem a gente sempre esperou, mesmo de forma inconsciente. Paramos e pensamos: Não, não deve ser. Tá tudo muito perfeito, muito certo...na certa tem algo de ruim escondido! E sabe o que acontece? Começamos a nos fechar, a temer, a duvidar, vem o ciúme, vem a falta de confiança em nós mesmos.

Quer uma dica? Permita-se viver! Se alguém demonstra que te ama, ame em retribuição! Vá fundo em uma amizade que já te provou ser real. Aceite essa nova mãe, novo pai ou novo irmão. E aquele parceiro de trabalho na certa pode ser quem vai te fazer crescer profissionalmente.

A vida é feita de um equilíbrio tão perfeito, porque não confiar em suas leis? Todo “adeus” traz consigo um “seja bem-vindo”.